Os melhores contos brasileiros de ficção científica

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Roberto de Sousa Causo (organização)
Editora Devir
200 páginas
Lançado em 2007

Essa é a primeira de três antologias de ficção científica brasuca organizadas por Roberto de Sousa Causo para a editora Devir. A segunda, de subtítulo Fronteiras, saiu em 2009 e a terceira, reunindo narrativas mais longas (novelas), em 2011. A trilogia oferece ao leitor vinte e nove ficções, de vinte autores fundamentais.

Na apresentação do primeiro volume, a história do gênero no Brasil é dividida em três períodos. O primeiro período, de produção mais ingênua e nacionalista, vai da segunda metade do século 19 até meados do 20. Esse é o período dos pioneiros, quase todos influenciados por Verne, Doyle e Wells.

O segundo período começa em 1960, com a coleção Ficção Científica GRD, do editor baiano Gumercindo Rocha Dorea, e termina no final da mesma década. Esse período, de produção mais autoconsciente e cosmopolita, é chamado de A Primeira Onda da Ficção Científica Brasileira.

O terceiro período, de produção mais rica e diversificada, começa na década de 80 e continua até os dias de hoje, representando a Segunda e a Terceira Onda da FC brasuca. Bastante equilibradas, as antologias de Causo trazem o melhor de cada um desses períodos.

Não sou especialista no assunto, mas a sensação que eu tenho, diante da quantidade de saites, blogues e revistas online destinados ao gênero, é que a ficção científica brasileira está muito viva na internet, porém bastante fragilizada, quase moribunda, nas livrarias.

É claro que jamais deixou de acontecer o eterno pinga-pinga de coletâneas de contos e romances de autores nacionais. Mas a freqüência com que esses livros têm aparecido é pequena e insuficiente, incapaz de projetá-los pra fora de seu círculo alternativo e marginal, motivando mais e melhores leitores.

Nesse pinga-pinga, para cada cinco ou seis pingos medíocres, sem a mínima qualidade literária, há pelo menos um muito bom, inventivo, consistente, poético. No entanto, esses poucos autores talentosos que, com o passar dos anos, formam quase uma pequena multidão, não são reconhecidos como verdadeiros autores.

Seus livros não são resenhados nas principais revistas e nos principais cadernos culturais, e eles não são convidados para participar dos eventos literários mais prestigiados, reservados apenas aos que fazem, na falta de nome melhor, a alta literatura brasileira, essa mesma literatura que é ensinada nos colégios e nas faculdades de Letras.

O prestígio que prosadores como Rubem Fonseca e Dalton Trevisan desfrutam entre críticos, livreiros e leitores, autor algum de FC conseguiu ou está conseguindo desfrutar. A pergunta é: por quê? O que há em nossa ficção científica que a impede de sair do gueto, de ganhar as melhores estantes nas melhores livrarias e com isso ampliar seu público?

Essa não é uma pergunta retórica. Só seria se eu soubesse a resposta. A boa ficção científica brasileira é riquíssima. Há gente não apenas produzindo contos e romances interessantes, mas também refletindo e teorizando com perspicácia. Espero que vocês me ajudem a desvendar esse mistério. Também espero que possam, quem sabe, começar a desfazer esse nó editorial, esse por quê? desconfortável, que pra mim não faz sentido algum.

Luiz Bras é ficcionista e ensaísta, autor de Distrito federal, entre outros livros.

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