O disco I – A viagem

O disco I - A viagem

João Carlos Marinho
Global Editora
146 páginas
Lançado em 1996

O escritor carioca João Carlos Marinho deu novo fôlego à literatura infantojuvenil na década de 70 quando da publicação de sua consagrada obra O gênio do crime. Seu livro Sangue fresco abocanhou todos os grandes prêmios de literatura infantojuvenil em 1982: Altamente Recomendável para o Jovem (FNLIJ), Grande Prêmio de Literatura Juvenil (APCA) e Jabuti (CBL).

Embora bastante premiado, não me pareceu muito fácil encontrar dados biobliográficos sobre o autor e sua obra. Uma busca na internet me diz de seus estudos: antigo curso primário em Santos; ginásio no Colégio Mackenzie, em São Paulo; colegial na Suíça e bacharelado em Direito na USP. A partir de 1965, divide seu tempo entre a advocacia e a literatura. E a partir de 1987 − raridade! − consegue viver exclusivamente como escritor.

Aqui nos interessa a obra O disco, lançada pela Cia. das Letras em 1996 (ano do famigerado caso do ET de Varginha). Em 2006, a obra foi relançada pela Global como O disco I − A viagem, seguida de sua continuação O disco II − A catástrofe do planeta Ebulidor.

Neste livro, Marinho utiliza-se das personagens de sua turma do gordo (que na nova edição surge sempre com letra minúscula) para a aventura. Elas são recorrentes em seus livros, embora estes possam ser lidos de forma independente. A turma do gordo é constituída por crianças de classe média alta, sadias, mimadas e espertas, que contam com o auxílio de alguns adultos para a resolução de seus problemas.

A obra se divide em duas partes: Livro principal − A viagem e Livro final − Voltando para casa. Descrições bem construídas e diálogos envolventes dão enorme agilidade aos seus vinte e nove capítulos, cheios de pequenas aventuras.

O disco é uma nave transparente, que faz projeções de realidade virtual para ficar indetectável, encontrada em Monte Verde, Minas Gerais. Sabendo que as tecnologias descritas nos livros de ficção científica quase sempre se tornam realidade no futuro, já informo que estou aguardando o sistema autolimpante do chão, descrito por Marinho.

É no disco que as personagens irão viajar para outro sistema solar muito distante do nosso, em companhia de seres peludos e de fala estranha, que eles apelidaram de brucutus. Aos poucos, a turma do gordo vai compreendendo os hábitos daquelas criaturas e o funcionamento do disco.

As personagens mais intrigantes da obra, porém, são criaturas vegetais que botam ovos e se alimentam de… orelhas! Delas dependerá a salvação de toda a turma. Gordo e Berenice, inclusive, recebem a incumbência de chocar um ovo cada um.

Como os brucutus são muito mais fortes e mais ágeis que a turma do gordo, os heróis juvenis se deixam levar no disco sem grandes resistências. Porém, sabem que suas vidas correm perigo se entrarem em contato com a gravidade diferente de outro planeta.

Algo semelhante acontece conosco, leitores: nos deixamos levar pela força da narrativa, sem muitos questionamentos, pois a magia da ficção científica é mais forte do que nós.

Sendo os heróis da narrativa crianças, essa leitura é recomendada para a infância de terráqueos e ETs.

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Elaine Valeria é educadora e escritora, tendo participado de dois volumes da coletânea Hiperconexões: realidade expandida.

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